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Os caminhos percorridos por Patrícia Scheeren até chegar na atuação com famílias

Atualizado: 19 de Fev de 2019

Confira o depoimento da psicóloga Patrícia Scheeren que narra neste artigo sua trajetória profissional, seus estudos e seu amor pela leitura.

Patrícia busca humanizar o atendimento jurídico e familiar, empoderando as pessoas na solução dos seus problemas

O meu contato com a psicologia iniciou durante minha primeira formação universitária na Faculdade de Letras. Me encantei com as teorias da aprendizagem que envolviam funcionamentos emocionais e psicológicos. As aulas sobre Piaget, Freud eram a cereja do bolo da minha semana, o que me fez ir atrás de mais conhecimento e informações na área.


No semestre seguinte, estava prestando vestibular para Psicologia e um mundo de muitas outras oportunidades se abriu para mim. Eu que desejava trabalhar em escola, percebi muitos outros campos de atuação do psicólogo. Sempre fui uma aluna dedicada e curiosa, sedenta por informação. Ao longo da minha trajetória universitária fui bolsista de iniciação científica e passava as férias devorando livros.


Leitura sempre foi um grande prazer.


Ao final do curso, foi um momento de ansiedade para os alunos de psicologia, que passam a colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos ao longo da trajetória nos estágios. Meu primeiro estágio foi em Psicologia Clínica Psicanalítica no Serviço Escola da PUCRS (SAPP). Naquela época o SAPP não tinha estágio em terapia de família e psicanálise, que era uma paixão para mim.


Eu atendia adultos, adolescentes e crianças. Um dos casos que me marcou foi de um jovenzinho de 7 anos que apresentava comportamento de risco. A família humilde, vinha do Lami para os atendimentos. A mãe, uma senhora que servia cachorro quente na carrocinha próxima de casa, se curvava ao marido autoritário e violento com ela e o filho. O caso era de risco, pois o menino nos seus 7 anos, com humor deprimido e comportamento de risco, precisava de acompanhamento psiquiátrico. Ao fazer este encaminhamento para os pais, o pai teve uma reação agressiva na pequena sala de atendimento do SAPP. Eu, uma jovem estagiária, iniciando minha trajetória, congelei na cadeira quando aquele homem grande e forte levantou o dedo e a voz para mim dizendo que seu filho não era louco. Foi um atendimento e tanto. Eu, sempre mais reservada e com dificuldade de me impor, suei frio naquela sessão e terminei a consulta jurando para mim mesma que nunca mais iria atender crianças e suas famílias.


Me formei e 7 dias depois estava embarcando para a França, onde morei três anos para seguir meus estudos. Realizei meu mestrado na Université Pierre Mendès France, em uma linda cidade nos alpes franceses chamada Grenoble. Iniciei o mestrado em Psicologia do Trabalho.


Claro, eu não faria psicologia clínica depois daquela sessão traumática para mim. Mas todo aquele tesão que sempre tive pelos estudos não estava evidente naquilo que eu estava estudando. Eu tinha uma grande amiga carioca estudando psicologia e ela sim fazia mestrado em Psicologia clínica. Eu via os livros dela e quando me percebia estava mais interessada no que ela estava estudando, no que nas minhas aulas.


Depois de 1 ano, mudei minha ênfase para psicologia clínica - psicocriminologia e vitimologia. Minha dissertação foi sobre mulheres vítimas de violência conjugal e me dei conta que os estudos se baseavam em duas linhas: feministas que traziam que a mulher sempre era a vítima das agressões masculinas e os estudos sistêmicos, que entendiam a violência como dinâmica da relação. Para mim, fazia sentido pensar sistemicamente, e a partir disso comecei a me debruçar e entender a teoria sistêmica, que muito pouco havia estudado em apenas 1 cadeira no curso da graduação.


Apesar de ter iniciado o doutorado na França, percebi que com minha orientadora lá eu não teria os subsídios teóricos que precisava para dar conta deste estudo. Assim, retornei ao Brasil e iniciei o doutorado na UFRGS sob orientação da minha professora de graduação Adriana Wagner. No grupo dela, comecei a estudar conjugalidade e este acabou sendo meu foco de tese de doutorado com o trabalho sobre infidelidade.


No segundo ano de doutorado, iniciei a formação clínica em psicologia sistêmica no INFAPA. Eu sentia que precisava de subsídio clinico e prático para dar conta de tudo que eu estudava teoricamente no doutorado. Assim, me desdobrei dando conta de 40 horas de doutorado com bolsa integral na UFRGS e formação clinica com atendimentos no INFAPA. No início de 2016 finalizei as duas etapas juntas e comecei uma nova etapa: minha caminhada profissional.


Ano de crise no ensino, poucas vagas de professor universitário, comecei a me reinventar. Estava me apoiando na clínica, fazendo rede de encaminhamentos para me solidificar profissionalmente enquanto psicóloga de família e casais.


Foi em uma ida ao congresso de terapia de família em Gramado que conheci a Karina. Eu já tinha escutado ela no INFAPA durante minha formação falando sobre o direito de família. Depois do congresso, escrevi para ela. Pensei que poderia ser uma parceria de trabalho para os encaminhamentos. Afinal, quantas famílias buscam os advogados quando na verdade os problemas são emocionais?


Fui muito bem recebida pela Karina e nossa conversa fluiu solta. Os encontros passaram a ser mais recorrentes, em cafés, batendo papo sobre nossos casos, trocando ideias e uma grande amizade surgindo. Da nossa sintonia de trabalho, pensamos em poder propor algo inovador, um atendimento conjunto para unir as áreas, pensando em algo transdisciplinar. Tivemos 2 anos de encontros até surgir nosso produto. Depois disso: como vender e nos fazer conhecer? Com a ajuda dos nossos maridos, da Sabrina, do Ronaldo, começamos a fazer eventos e nossos cafés foram um sucesso. Tudo feito com carinho e contribuição de todos que nos apoiavam. Do sucesso desta parceria, surgiu a DUO. Temos como objetivo humanizar o atendimento jurídico e familiar, empoderando as pessoas da solução dos seus problemas e ensinando estratégias de como lidar com essas dificuldades.


Hoje sou psicóloga clínica atendendo indivíduos, famílias e casais em Porto Alegre e Canoas. Também sou professora universitária no CESUCA, onde supervisiono os alunos no estágio de psicologia jurídica. Tenho estudado e me feito conhecer neste ramo. Eu, que não queria saber ouvir de família e área clínica, hoje sou realizada neste trabalho de trazer saúde para as famílias. Adoro fazer parcerias e trabalhar em equipe. Sou sistêmica não só na minha atuação clínica, mas na forma de viver minha vida e me relacionar. Não entendo minha atuação como psicóloga jurídica, mas como psicóloga clinica familiar que ajuda as pessoas a se relacionarem melhor a partir das queixas que chegam no meio jurídico.


#psicologiaclínica #psicologiajurídica #clinicafamiliar

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