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A história da advogada Karina Azen e sua relação com a psicologia

Atualizado: 18 de Fev de 2019

Confira o depoimento da advogada gaúcha que conta sua trajetória profissional e a descoberta ligando o Direito das Famílias e a Psicologia.

Em suas reflexões a advogada Karina Azen ficava pensando como poderia trabalhar em parceria com os psicólogos

Em 2010, após 14 anos de trabalho no escritório com foco nas ações de massa e pouco em família, a advogada Karina Azen resolveu mergulhar no Direito das Famílias e Sucessões. Claramente ela percebeu que precisava buscar ajuda na psicologia. Conversou com a irmã Gabriela, que é psicóloga, a qual a orientou a conversar com uma psicóloga do Instituto Pichon-Reviere. No encontro com a terapeuta, karina expôs que se sentia angustiada ao perceber que quando o cliente chegava no escritório, estava sempre tomado de algum sentimento como mágoa, ressentimento, raiva, vingança, tristeza, entre outros. Ela como advogada poderia acolher esses sentimentos e compreender qual a real demanda do cliente? A psicóloga a aconselhou a fazer o curso de terapia de família. Assim, Karina buscou alguns locais e no INFAPA sentiu a porta aberta para isto.


Em 2011 iniciou o curso no INFAPA e ao mesmo tempo também começou a especialização em Direito das Famílias, Sucessões e Mediação, na FADERGS.


Sentiu que os dois cursos foram um divisor de águas na sua carreira profissional. Como assim? Na terapia de família foi possível compreender como a psicologia enxerga a família e como se dão as dinâmicas nas relações familiares, os vínculos, as crenças, a transgeracionalidade, etc. E na especialização do direito das famílias ela foi constando mudanças bem significativas, em comparação ao que eu tinha estudado na faculdade, entre elas o afeto estar sendo reconhecido como princípio jurídico e basilador das relações familiares no mesmo valor ou até acima do vínculo biológico.


Entretanto, as duas ciências que trabalham com o mesmo objeto – a família – ainda não tinham pontos de contato a não ser na psicologia jurídica através de perícias para casos como disputa de guarda e alienação parental, basicamente. Ou também em documentos que os psicólogos podem fornecer para os processos judiciais.


Seria só aqui o ponto de maior contato entre o Direito das Famílias e a Psicologia, mais precisamente a Terapia de Família? Na percepção de Karina Azen é de que os advogados procuram apenas os psicólogos quando querem algum laudo para favorecer o seu cliente em um litígio ou para desqualificar a parte contrária no processo. E os psicólogos ao perceberem que seus pacientes estão atravessando um conflito familiar tem muita resistência em indicar um advogado, pois percebe este como alguém que vai fomentar ainda mais o conflito e será então um retrocesso maior na vida do seu paciente. Não se vê o advogado como alguém para aconselhar, orientar e ser um profissional que possa auxiliar na construção do consenso ou na busca do direito do paciente, de forma não destrutiva e nem traumática.


Durante esse ano, uma colega de curso sempre comentava com karina que ela sentia falta de entender um pouco mais sobre as questões do direito das famílias e sucessões quando os pacientes comentavam sobre os seus conflitos jurídicos. E que ela sentia ser muito importante o terapeuta ter noções jurídicas para também poder auxiliar o seu paciente a compreender os seus direitos e a enfrentar a busca do seu direito ou de um processo judicial.


Em janeiro de 2012 karina encerrou o curso no INFAPA, e a professora lhe disse: “vamos te esperar para terminar a especialização quando tu terminares o curso de psicologia!”, e continuei no curso do DF. Em junho de 2012 chegou o Paulo na vida da Karina e de seu esposo Júlio. Então, ela decidiu, trancar o curso e se focar na maternidade. Neste momento, toda a sua história familiar, os tratamentos para engravidar, todos os estudos sobre família e a concretização da maternidade a balançaram profundamente... ela estava super feliz e também muito, mas muito insegura e angustiada. Ainda bem que karina tinha seu espaço terapêutico: no caso o seu marido e a irmã Gabriela para apoio e acolhimento.


Depois de 6 a 8 meses ela foi retomando o ritmo do trabalho, os contatos e grupos de estudo da mediação e sexualidade na AGATEF, como também foi pensando em montar um curso sobre a aproximação do direito das famílias com a terapia de família. Karina acredita que em 2013 foi o primeiro caso que conseguiu ter contato com a psicóloga da filha do cliente e que ela a aceitou, e assim, participou de uma sessão em conjunto. “Confesso que eu estava nervosa e foi uma estreia muito interessante, pois daquele encontro eu consegui entender ainda mais o conflito trazido pelo cliente. Além disso consegui ampliar a minha percepção do caso”, recorda a advogada.


Nas suas reflexões ficava pensando como poderia trabalhar com os psicólogos e como poderia criar um curso.


A partir daí, foi buscando conversar com terapeutas de família e psicólogos, Convidou uma amiga advogada de família e montou uma apresentação sobre direito das famílias para psicólogos. A primeira apresentação das duas profissionais foi no INFAPA. Depois foram no Pichon-Reviere.


“Eu estava feliz com esse passo alcançado, mas sentia que faltava eu entender um pouco mais sobre a forma de organizar o conteúdo jurídico de forma que os profissionais de outra área compreendessem melhor. Não era somente chegar e dar o conteúdo”, relata Karina Azen.


Foi assim que no início de 2014 ela começou a fazer uma consultoria pedagógica com o Ederson Locatelli e foi estudando sobre formas de trabalhar com conteúdos interdisciplinares. Neste mesmo ano criou o projeto pedagógico da escola que se chamaria ENA ENSINO.


O Ederson auxiliou muito Karina na reestruturação da curso Direito das Famílias para Psicólogos. Chegar neste nome não foi nada fácil para elas. Será que as pessoas entenderiam o que elas queriam dizer? Será que conseguiriam se diferenciar da psicologia jurídica?


No facebook foi criada a fanpage https://www.facebook.com/terapeutas.e.direito.de.familia/

Terapeutas e o Direito de Família: Interfaces


Durante os anos de 2015 e 2016 karina buscou parceiras neste projeto: cursos sobre adoção com psicólogas e assistente social.


Foi também conversar com uma consultoria para advogados de família; Em alguns dos cafés que se encontraram, a consultora pensou no nome de Karina para falar no Congresso de Terapia de Família, em junho de 2016.


No Congresso a advogada conseguiu expor em 03 palestras: 01 sobre guarda compartilhada em parceria com uma psicóloga; 02 sobre alienação parental com outra parceria e 03 a fala sobre Direito das Famílias para Psicólogos; nas duas primeiras as salas estavam lotadas, mas na última apenas 05 participantes. Aí ela se questionou: porque será que o tema não chama a atenção quando as pessoas leem o título, mas por outro lado, quando a escutam, as pessoas ficam muito empolgadas e percebem a importância do cruzamento das áreas?


Nesse momento, karina continuou sozinha com o projeto do curso.


Ela percebeu que o ideal seria uma parceira com uma psicóloga, faria mais sentido. Desse congresso vieram vários frutos. As psicólogas Marina Kreling e a Patrícia Scheeren a procuraram com objetivo de montarmos cursos. A Patrícia já trouxe a ideia do atendimento em conjunto.


Com a Marina a parceria não evoluiu, tentamos, mas não foi possível.


Já em relação à Patrícia, ficaram muitos meses se encontrando todas as semanas, até que montaram um formato do atendimento jurídico-psicológico. Levaram isto para 02 Congressos e montaram eventos como Café da Manhã, Happy Hour e Sarau.


Em 2017 karina Azen resolveu retornar a conversar com a Nelma do Pichon-Reviere e decidiu fazer o curso dela sobre Coordenação de Grupo. Por que fazer este curso? “Se eu fosse continuar com o projeto de curso, eu sentia falta de ter ferramentas teóricas sobre como trabalhar com grupos”, justifica.


No trabalho de conclusão do curso ela resolveu apresentar o projeto que montou com a Patrícia chamada Direito e Psicologia: Atuação nos Conflitos Familiares - curso que perpassa todo o ciclo vital a partir do direito das famílias e sucessões e a terapia de família.


Os colegas e a Nelma parabenizaram o projeto!


Lançaram uma primeira turma, mas que não teve inscritos. Assim, karina buscou a consultoria com uma empresa de marketing digital.


O que está faltando?


Na percepção da advogada, o nome ainda não dizia o que é. Ou seja, ainda não conseguia comunicar o que o curso se propõe. Como é um curso novo as pessoas não estavam em busca do mesmo, elas sim precisavam despertar a necessidade nas pessoas para cursá-lo; ainda não tinham conseguido atingir esta meta.


“Meu desejo: dar aulas nos cursos de terapia de família; nos cursos de psicologia; trabalhar com psicólogos e psiquiatras em atendimentos em conjunto”, relata a advogada Karina Azen.


Final de 2018 ela e seu sócio Ronaldo extinguiram a sociedade ENA ADVOGADOS E ENA ENSINO.

Neste momento Karina e a psicóloga Patrícia decidiram montar uma empresa para continuarem o o trabalho do direito das famílias com a terapia de família: cursos, palestras e atendimentos.

Assim, foi criada a empresa que se chama DUO – Direito e Psicologia Estratégia na Família.


#direitodasfamílias #Psicologia #atendimentojurídico

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